Enfermeiro corta cabelo de pacientes de graça e ajuda a recuperar autoestima em hospital do SUS

Tem muita gente boa nesse mundo, sim e este enfermeiro, que corta cabelo de pacientes de graça, em um hospital do SUS, em Curitiba (PR), é mais uma prova disso. O Jonatas de Sousa, conhecido nos corredores como “enfermeiro barbeiro”, é do Ceará e trabalha há nove meses no Hospital Universitário Cajuru. Ele decidiu incluir os cortes, gratuitos, entre os pequenos cuidados oferecidos principalmente a pacientes que enfrentam internações mais longas e deve completar 100 cortes feitos este ano. “Percebi que, além do nosso trabalho essencial, oferecer um corte de cabelo poderia ser uma porta de entrada para nos comunicarmos
Enfermeiro corta cabelo de pacientes de graça e ajuda a recuperar autoestima em hospital do SUS
Tem muita gente boa nesse mundo, sim e este enfermeiro, que corta cabelo de pacientes de graça, em um hospital do SUS, em Curitiba (PR), é mais uma prova disso. O Jonatas de Sousa, conhecido nos corredores como “enfermeiro barbeiro”, é do Ceará e trabalha há nove meses no Hospital Universitário Cajuru.

Ele decidiu incluir os cortes, gratuitos, entre os pequenos cuidados oferecidos principalmente a pacientes que enfrentam internações mais longas e deve completar 100 cortes feitos este ano. “Percebi que, além do nosso trabalho essencial, oferecer um corte de cabelo poderia ser uma porta de entrada para nos comunicarmos melhor com o paciente, fortalecendo a autoestima e contribuindo para a recuperação emocional de quem permanece internado por semanas ou até meses”, contou Jonatas em entrevista ao Só Notícia Boa.

O seu Hélio Cardoso de Lima, de 62 anos, que foi internado depois de sofrer um infarto,  recebeu o corte de cabelo do Jonatas dez dias após chegar à unidade. “Estou me sentindo renovado. Dá mais autoestima, mais energia”, afirmou. “Ganhei muito mais do que um novo visual. É um cuidado que, para muitos pacientes que estão aqui, representa acolhimento, dignidade e um sinal de esperança para a alta”, contou.

Começou durante a pandemia

A ideia de Jonatas começou em 2020, no período mais difícil da pandemia de Covid-19. O enfermeiro cuidava de um paciente jovem que estava isolado por causa da doença e longe da família, em outro hospital. Jonatas percebeu que, além do estado de saúde, o rapaz estava emocionalmente abatido.

Sem máquina de cortar cabelo, ele pegou uma tesoura comum e fez o corte. Jonatas percebeu uma mudança imediata no comportamento do paciente, que ficou mais animado. Anos depois, os dois voltaram a se encontrar pelas redes sociais.

O rapaz agradeceu e contou ao enfermeiro que aquele gesto simples tinha sido importante durante a recuperação. Jonatas não esqueceu.

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Quando chegou ao Hospital Universitário Cajuru, o enfermeiro retomou a ideia. E não demorou para perceber que a cadeira improvisada de barbeiro poderia fazer mais do que mudar o visual.

Ele conta que, durante o corte, os pacientes conversam. Foi assim com um homem que enfrentava um quadro grave de depressão e aguardava encaminhamento para tratamento especializado.

Enquanto Jonatas cortava o cabelo dele, os dois foram conversando. Aos poucos, o paciente passou a confiar mais no enfermeiro e também no restante da equipe. Na alta, ele deixou uma mensagem para Jonatas: “A base de toda a minha melhora foi você e sua equipe. Deixo isso claro.” O enfermeiro guarda a frase até hoje.

Colegas deram um kit de barbeiro

A fama do “enfermeiro barbeiro” se espalhou pelo hospital. Os próprios colegas resolveram ajudar e deram a Jonatas um kit profissional de barbearia para que ele pudesse continuar os atendimentos. A meta dele agora é chegar a 100 cortes até o fim de 2026.

Jonatas explica que ninguém é obrigado a participar. Os cortes são oferecidos aos pacientes que desejam e todos os instrumentos passam por higienização individual depois de cada atendimento.

“O corte de cabelo nunca foi sobre estética. Muitas vezes, é apenas a porta de entrada para que o paciente se sinta acolhido, volte a conversar, recupere o ânimo para viver e permita ser cuidado de forma integral”, disse.

“Ferramenta de humanização”

Para ele, o trabalho também não pode ser separado da atuação dos demais profissionais do hospital. Técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, médicos, psicólogos e outros integrantes da equipe acompanham os pacientes durante a internação.

“O corte de cabelo representa apenas mais uma ferramenta de humanização que contribui para o paciente seguir o caminho da alta”, afirmou.

A iniciativa de Jonatas foi reconhecida recentemente pelo Projeto Servir, programa do próprio hospital que destaca ações de humanização realizadas pelos profissionais.

O Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, é filantrópico e atende pacientes exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O antes e depois do seu Hélio, paciente com infarto que teve o cabelo cortado pelo enfermeiro no hospital de Curitiba. - Foto: Divulgação/Hospital Universitário Cajuru

O antes e depois do seu Hélio, paciente com infarto que teve o cabelo cortado pelo enfermeiro no hospital de Curitiba. – Foto: Divulgação/Hospital Universitário Cajuru

O enfermeiro Jonatas de Sousa cortando o cabelo do paciente no Paraná. - Divulgação/Hospital Universitário Cajuru

O enfermeiro Jonatas de Sousa cortando o cabelo do paciente no Paraná. – Divulgação/Hospital Universitário Cajuru

O corte de cabelo do enfermeiro devolve a autoestima aos pacientes. -Foto: Divulgação/Hospital Universitário Cajuru

O corte de cabelo do enfermeiro devolve a autoestima aos pacientes. -Foto: Divulgação/Hospital Universitário Cajuru

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