Vini Jr. volta a ser alvo de racismo na Europa

Não há dúvidas: o futebol jogado na Europa é o melhor do mundo… e os números confirmam. As melhores ligas nacionais estão no Velho Continente; das últimas sete Copas da Fifa, as seleções europeias faturaram cinco delas; e já se vão 13 anos desde a última vitória de uma equipe sul-americana na final do Mundial de Clubes. Mas, quando o assunto é racismo, a Europa mantém aberta uma ferida que está longe de cicatrizar. Esta semana, após mais um episódio contra uma vítima frequente, o mundo do futebol volta a debater, com indignação, o problema sofrido pelo jogador brasileiro Vini
Vini Jr. volta a ser alvo de racismo na Europa

Não há dúvidas: o futebol jogado na Europa é o melhor do mundo… e os números confirmam. As melhores ligas nacionais estão no Velho Continente; das últimas sete Copas da Fifa, as seleções europeias faturaram cinco delas; e já se vão 13 anos desde a última vitória de uma equipe sul-americana na final do Mundial de Clubes. Mas, quando o assunto é racismo, a Europa mantém aberta uma ferida que está longe de cicatrizar.

Esta semana, após mais um episódio contra uma vítima frequente, o mundo do futebol volta a debater, com indignação, o problema sofrido pelo jogador brasileiro Vini Jr. em uma partida da Champions League, no Estádio da Luz, em Portugal. Após anotar um golaço, o brasileiro do Real Madrid foi supostamente alvo de ofensas racistas por parte do adversário do Benfica, o argentino Gianlucca Prestianni, que alega ter proferido “apenas” um xingamento homofóbico.

Isso não é novidade para Vini Jr. Há quase oito anos no futebol europeu, o jogador já denunciou pelo menos 20 ocorrências de racismo em partidas ou mesmo por parte de torcedores nos estádios. Em 2023, provavelmente no caso mais emblemático da sua carreira, Vini – que nasceu e cresceu num bairro humilde de São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, até ser descoberto pelo Flamengo – sofreu abusos racistas por parte da torcida do Valencia e a partida foi interrompida, antes de ganhar projeção mundial.

Como de costume, a Uefa (a entidade máxima do futebol europeu) anunciou que está investigando o caso desta semana e tomará as providências, já que o árbitro da partida acionou o protocolo antirracismo da Fifa ainda no decorrer da partida. E é justamente aí que está o problema, pois o desenrolar da história é previsível: multa em dinheiro, que certamente não afeta a estrutura milionária de qualquer um dos gigantes clubes europeus, e advertência ou suspensão branda a quem proferiu a injúria. Esqueça a possibilidade de interdição do estádio, mesmo com imagens claras de torcedores imitando “macacos” quando Vini Jr. foi comemorar o seu gol.

O clube português, por sua vez, saiu em defesa de seu atleta. “O Benfica reitera ainda que apoia e acredita plenamente na versão apresentada pelo jogador Gianluca Prestianni, cuja conduta ao serviço do Clube sempre foi pautada pelo respeito pelos adversários e pelas instituições. Lamentamos a campanha de difamação de que o jogador tem sido vítima”, diz o comunicado. O técnico do Benfica, José Mourinho, chegou a “culpar” o brasileiro por incitar estas situações com sua maneira de jogar e suas comemorações. Inacreditável.

Aos 25 anos, Vini Jr. agregou à sua condição de um dos principais talentos do futebol mundial o símbolo de uma luta maior do que o esporte. A partir de seus atos, o tema saiu das quatro linhas para alcançar autoridades no Brasil e na Espanha. E expôs ao mundo que a Europa, apesar das cifras bilionárias e do futebol de excelente qualidade, não tem capacidade de erradicar manifestações racistas de seus estádios (dentro e fora de campo). A reincidência confirma que o problema só será resolvido com firmeza, mudanças estruturais e punições exemplares.

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