Durante anos, medicamentos como Ozempic e Mounjaro ficaram restritos a quem podia pagar milhares de reais por mês. Eram vistos como um tratamento de alto custo, disponível quase exclusivamente em clínicas particulares. Aos poucos, esse cenário começa a mudar.
Hoje, 62,6% dos adultos brasileiros estão acima do peso e 25,7% já convivem com a obesidade. Não se trata de estética. A obesidade é uma doença crônica e está diretamente relacionada ao aumento dos casos de diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, apneia do sono, problemas articulares e diversos tipos de câncer.
Algumas cidades brasileiras já começaram a oferecer esses medicamentos na rede pública para pacientes que atendem aos critérios médicos. Outras estudam fazer o mesmo, enquanto avança a discussão sobre ampliar esse acesso em todo o país. Diante disso, muita gente faz a mesma pergunta: faz sentido o poder público investir em medicamentos tão caros? Talvez a pergunta mais importante seja outra. Quanto custa não tratar a obesidade?


Durante décadas, o SUS foi obrigado a agir quando a doença já havia provocado danos. Agora começa a discutir uma mudança de estratégia: investir mais na prevenção do que no tratamento das consequências. É uma inversão de lógica que pode transformar a saúde pública brasileira.
Há outro fator que ajuda a explicar esse movimento. O mercado dessas terapias amadureceu. Novos medicamentos chegaram, a concorrência aumentou, os preços começaram a recuar e a expectativa de novas opções deve ampliar ainda mais o acesso nos próximos anos.
As canetas emagrecedoras continuarão exigindo indicação médica, acompanhamento profissional e mudanças no estilo de vida. Não são uma solução mágica. Mas representam um avanço importante no combate a uma das doenças que mais pressionam os sistemas de saúde em todo o mundo.
Talvez a maior transformação não esteja na balança, mas na forma como o Estado passa a encarar a obesidade. Durante muito tempo, o dinheiro público foi gasto para tratar infartos, AVCs, insuficiência renal e outras complicações. Agora surge a oportunidade de investir antes que essas doenças apareçam. Se essa estratégia se confirmar, o maior legado das canetas emagrecedoras poderá ser justamente este: substituir a medicina que remedia pela medicina que previne.
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