A tranquilidade habitual do estado do Maine, no extremo nordeste dos Estados Unidos, foi quebrada nesta semana com o início de uma agressiva campanha de fiscalização imigratória ordenada diretamente pelo ex-presidente Donald Trump. O alvo principal da nova ofensiva são os migrantes somalis residentes nas cidades de Portland e Lewiston, marcando uma expansão significativa da agenda de deportações em massa para zonas rurais e historicamente acolhedoras do país.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) oficializou a ação na quarta-feira sob o codinome “Operação Captura do Dia”. No entanto, a mobilização começou antes mesmo do anúncio oficial. Segundo apurado pelo Brazilian Press, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) já estavam em campo na terça-feira, varrendo bairros residenciais e locais de trabalho. Patricia Hyde, vice-diretora assistente do ICE, confirmou a jornalistas que 50 pessoas foram detidas apenas no primeiro dia, de uma lista que inclui mais de 1.000 alvos prioritários no estado.

Tricia McLaughlin, porta-voz da Segurança Interna, corroborou o sucesso inicial das incursões, mas a operação gerou pânico imediato. Autoridades locais de Portland e Lewiston emitiram alertas urgentes aos residentes sobre a intensificação das atividades federais nos próximos dias, enquanto o clima de medo se espalha pelas comunidades de imigrantes.
Tensão nas Escolas e Economia Local
O impacto social da operação foi instantâneo. O vereador de Portland, Pious Ali, imigrante natural de Gana, relatou que o medo paralisou parte da cidade. “Em nossas escolas, cerca de um quarto dos imigrantes não compareceu”, lamentou Ali.

O vereador destacou o papel vital que esses residentes desempenham na economia local: “Há imigrantes vivendo aqui que trabalham nos nossos hospitais, nas nossas escolas e nos nossos hotéis; eles são parte do motor econômico da nossa comunidade. O governo federal tem a capacidade de contatar estas pessoas sem desencadear o medo.”
Em resposta à presença ostensiva dos agentes, as Escolas Públicas de Portland tomaram medidas drásticas na quarta-feira, impedindo a entrada de qualquer pessoa em duas de suas instalações educacionais devido à proximidade das operações do ICE, numa tentativa de proteger alunos e funcionários.
Conflito Jurisdicional e Ameaças Federais
A ofensiva federal encontrou forte resistência política. A governadora do Maine, a democrata Janet Mills, posicionou-se firmemente contra a ação, declarando que uma aplicação agressiva da lei que viole direitos civis “não é bem-vinda” no estado. O Maine abriga uma população somali considerável desde o início dos anos 2000 e recebeu milhares de requerentes de asilo de países africanos durante a administração Biden.

Do outro lado, o governo federal endureceu o discurso contra qualquer tentativa de obstrução. Andrew Benson, procurador dos EUA no estado, emitiu um aviso severo aos cidadãos que tentarem proteger os migrantes.
“Qualquer pessoa que agrida ou impeça à força um policial federal, destrua intencionalmente propriedade do governo ou obstrua ilegalmente a atividade de aplicação da lei federal comete um crime federal e será processado em toda a extensão da lei”, alertou Benson.
Contexto Nacional
A chegada desta repressão ao Maine, um estado com cerca de 1,4 milhão de habitantes, sinaliza que a Casa Branca está disposta a levar a agenda de deportação para todos os cantos do país, independentemente da densidade populacional ou do perfil político. O cenário lembra a tensão vivida recentemente em Minneapolis, onde agentes do ICE enfrentam protestos contínuos após o tiro fatal contra Renee Good.

Para os analistas, a “Operação Captura do Dia” é uma demonstração de força que ignora a resistência local, transformando cidades santuário e comunidades rurais em novos campos de batalha da política imigratória americana.
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