Catador brasileiro será doutor após 20 anos longe da escola: “primeiro do mundo”

O catador que vai virar doutor, que história incrível. Depois de passar mais de 20 anos longe da sala de aula, trabalhar como catador de materiais recicláveis e sustentar três filhos, Alex Cardoso está prestes a realizar um sonho que parecia impossível: tornar-se doutor. E pode entrar para a história como o primeiro catador de recicláveis do mundo a conquistar esse título. A defesa da tese será no dia 2 de setembro, durante o Encontro Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), em Cruz Alta (RS), cidade onde Alex mora e trabalha. Para ele, a conquista vai além
Catador brasileiro será doutor após 20 anos longe da escola: “primeiro do mundo”
Catador brasileiro Alex Cardoso agora será doutor, após voltar a estudar, concluir a UFRGS e defender uma tese sobre reciclagem popular e inclusão social. - Foto: Arquivo PessoalO catador que vai virar doutor, que história incrível. Depois de passar mais de 20 anos longe da sala de aula, trabalhar como catador de materiais recicláveis e sustentar três filhos, Alex Cardoso está prestes a realizar um sonho que parecia impossível: tornar-se doutor. E pode entrar para a história como o primeiro catador de recicláveis do mundo a conquistar esse título.

A defesa da tese será no dia 2 de setembro, durante o Encontro Estadual do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), em Cruz Alta (RS), cidade onde Alex mora e trabalha. Para ele, a conquista vai além de um diploma.

“O título de doutor não cria um catador pesquisador; apenas reconhece uma caminhada forjada no trabalho, na organização popular, na educação e na luta dos catadores e catadoras por direitos”, afirmou.

Da reciclagem para a EJA e universidade

A história de Alex já havia chamado a atenção anos atrás. Décadas após ser obrigado a abandonar os estudos, ele voltou à escola por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), concluiu o ensino básico em apenas três anos e foi aprovado no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Agora, oito anos depois, ele entrega uma tese de doutorado que nasceu da própria experiência como catador. Mesmo durante toda a vida acadêmica, Alex nunca deixou a profissão.

“Geralmente, se entra para a academia, se aprende a teoria e depois se vai a campo para pesquisar. No meu caso, eu já estive no campo desde quando sequer pensava que iria entrar na academia”, contou ao Sul21.

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Pesquisa feita por quem vive a realidade

A tese de Alex recebeu o título “Catadoras e Catadores de Materiais Recicláveis Enfrentam a Máquina de Moer Mundos: Território Vivo e Reciclagem Popular na Cooperativa Unicca”.

O trabalho mostra como os catadores conseguem enfrentar as dificuldades da profissão por meio da organização coletiva, das cooperativas e da luta por reconhecimento e direitos. Também propõe caminhos para fortalecer políticas públicas voltadas à reciclagem popular.

Alex diz que durante muito tempo os catadores eram apenas objeto de pesquisa dentro das universidades. Agora, eles também produzem conhecimento científico.

Educação transformou a vida

Alex lembra que a educação mudou completamente a trajetória dele.

Além de abrir portas na universidade, permitiu ampliar a atuação em defesa dos catadores e construir propostas para melhorar as condições de trabalho da categoria.

Agora, mesmo prestes a conquistar o título de doutor, ele diz que pretende continuar atuando nas cooperativas e no movimento dos catadores.

Mas o objetivo é outro: usar o conhecimento que adquiriu para ajudar a criar políticas públicas, fortalecer a reciclagem popular e garantir mais dignidade para milhares de trabalhadores que, como ele, transformam diariamente o que muitos chamam de lixo… e em oportunidade e esperança.

Catador brasileiro Alex Cardoso agora será doutor, após voltar a estudar, concluir a UFRGS e defender uma tese sobre reciclagem popular e inclusão social. - Foto: Arquivo Pessoal Catador brasileiro Alex Cardoso agora será doutor, após voltar a estudar, concluir a UFRGS e defender uma tese sobre reciclagem popular e inclusão social. – Foto: Arquivo PessoalConfira o link original do post
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