Brasileiro de 26 anos cria equação matemática inédita para tratamento do câncer de próstata

O jovem cientista brasileiro Matheus dos Santos Farias, de 26 anos, criou uma equação matemática inédita que poderá ajudar no  tratamento contra o câncer de próstata. Em entrevista exclusiva, durante uma live do Só Notícia Boa no Instagram, ele contou como conseguiu desenvolver, no próprio computador, a custo zero, uma ferramenta que simula análises realizadas por aparelhos caros de laboratório que podem custar até US$ 2 milhões. “Eu consegui pegar o código de machine learning, que é usando IA, e consegui criar esse aparelho dentro do meu computador de forma gratuita, que dá o tamanho dessa partícula de ouro que
Brasileiro de 26 anos cria equação matemática inédita para tratamento do câncer de próstata
Nascido no interior de Alagoas, Matheus Farias estudou na USP, ganhou bolsa integral no Hospital Albert Einstein e criou uma equação matemática que simula nanopartículas de ouro sem custo com equipamentos laboratoriais para prever câncer de próstata. - Fotos: Arquivo Pessoal cedido ao SNBO jovem cientista brasileiro Matheus dos Santos Farias, de 26 anos, criou uma equação matemática inédita que poderá ajudar no  tratamento contra o câncer de próstata. Em entrevista exclusiva, durante uma live do Só Notícia Boa no Instagram, ele contou como conseguiu desenvolver, no próprio computador, a custo zero, uma ferramenta que simula análises realizadas por aparelhos caros de laboratório que podem custar até US$ 2 milhões.

“Eu consegui pegar o código de machine learning, que é usando IA, e consegui criar esse aparelho dentro do meu computador de forma gratuita, que dá o tamanho dessa partícula de ouro que deve ser colocada na próstata do paciente, a custo zero”, disse Matheus ao jornalista Rinaldo de Oliveira, CEO do SNB.

O rapaz, que cresceu em Girau do Ponciano, no interior de Alagoas, saiu de casa aos 18 anos para estudar em São Paulo. Formou-se em Física na Universidade de São Paulo (USP), conquistou uma bolsa integral de pós-graduação no Hospital Israelita Albert Einstein e desenvolveu a pesquisa que deu origem ao Modelo Padrão Farias (MPF), uma formulação matemática capaz de prever o crescimento de nanopartículas de ouro. Ele revelou que nesta terça-feira (27) conseguiu a patente da descoberta junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Como a equação pode ajudar no tratamento do câncer

A inovação de Matheus está relacionada a uma tecnologia experimental conhecida como nanobraquiterapia, estudada para futuras aplicações contra o câncer de próstata. A proposta envolve nanopartículas de ouro, estruturas tão pequenas que não podem ser vistas a olho nu. Em uma das possibilidades investigadas, essas partículas seriam ativadas em um reator nuclear para adquirir propriedades radioativas.

O objetivo das pesquisas é estudar maneiras de levar ou concentrar a radiação na região do tumor para atingir as células cancerígenas com maior precisão e sem atingir os tecidos saudáveis. Para desenvolver essa tecnologia, porém, os pesquisadores precisam compreender e controlar características das nanopartículas, principalmente o tamanho, a distribuição e o comportamento durante a fabricação.

É justamente nessa etapa que entra a equação criada pelo brasileiro. O Modelo Padrão Farias utiliza cálculos matemáticos e simulações computacionais para prever como o diâmetro das nanopartículas de ouro muda ao longo do tempo, permitindo testar diferentes condições antes de realizar experimentos físicos.

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A pesquisa foi divulgada oficialmente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e também envolveu colaboração de pesquisadores da University College London, no Reino Unido. Durante a live do Só Notícia Boa, Matheus explicou que conseguiu utilizar inteligência artificial e programação para reproduzir virtualmente parte das análises feitas por equipamentos sofisticados de caracterização de nanopartículas que são caríssimos.

A ferramenta foi desenvolvida em Python, uma linguagem de programação muito utilizada em pesquisas científicas e aplicações de inteligência artificial. Segundo a CNEN, o sistema permite gerar imagens sintéticas e representações de técnicas como microscopia eletrônica de transmissão e espalhamento dinâmico de luz, utilizadas para analisar nanopartículas.

Isso não significa que o programa substitua integralmente os equipamentos. As simulações são ferramentas complementares que ajudam os cientistas a planejar experimentos e analisar resultados, reduzindo a necessidade de determinadas etapas de tentativa e erro em laboratório.

Do interior de Alagoas para a USP

A trajetória de Matheus também chama a atenção pelas dificuldades que precisou superar para chegar à pesquisa científica. Nascido em Arapiraca e criado em Girau do Ponciano, no Agreste de Alagoas, ele estudou em escolas públicas e, quando criança, chegou a enfrentar dificuldades com matemática.

Anos depois, aos 18 anos, Matheus deixou Alagoas para buscar oportunidades de estudo em São Paulo. Conseguiu cursar Física na USP e, durante a pandemia, participou de um processo seletivo para uma pós-graduação em Física Médica no Hospital Israelita Albert Einstein. Ele ficou em segundo lugar e recebeu uma bolsa integral.

O curso custava aproximadamente R$ 74 mil, dinheiro que estava fora das possibilidades financeiras do jovem. Durante a formação, Matheus se aprofundou nas aplicações da Física à medicina, desenvolveu pesquisas e recebeu uma premiação acadêmica por um artigo científico. Depois, voltou à USP para desenvolver estudos no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), onde elaborou o Modelo Padrão Farias.

Pesquisa teve colaboração internacional

O desenvolvimento da equação reuniu conhecimentos de matemática, física nuclear, química, nanotecnologia e computação. O trabalho contou com a colaboração de pesquisadores ligados ao Departamento de Engenharia Química da University College London (UCL), no Reino Unido, e foi desenvolvido durante o mestrado de Matheus no IPEN/USP.

O modelo matemático permite estudar a evolução do tamanho das nanopartículas ao longo do tempo e testar diferentes condições de produção. A pesquisa recebeu financiamento por meio de bolsa da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

O desenvolvimento também está associado a um pedido de patente apresentado ao INPI, referente ao controle preditivo da síntese de nanopartículas metálicas. O pedido foi identificado em reportagem sobre a pesquisa pelo número BR 10 2026 022701 3.

“É do povo”

Matheus continua desenvolvendo pesquisas que aproximam física nuclear, matemática e medicina, com aplicações potenciais em radioterapia e medicina nuclear e afirmou ao SNB:

“Me dedicarei, vou continuar estudando em prol da pesquisa para que essa pesquisa possa ser aplicada futuramente para ajudar todos os pacientes oncológicos. Porque a pesquisa não é só minha, eu fiz mas ela é nossa, é do Brasil, é do povo”, concluiu.

Assista ao vídeo da entrevista do Matheus ao Só Notícia Boa:

Matheus Farias estudou na USP, ganhou bolsa integral no Hospital Albert Einstein e criou uma equação matemática que simula nanopartículas de ouro sem custo com equipamentos laboratoriais para prever câncer de próstata. - Fotos: Arquivo Pessoal cedido ao SNB Matheus Farias estudou na USP, ganhou bolsa integral no Hospital Albert Einstein e criou uma equação matemática que simula nanopartículas de ouro sem custo com equipamentos laboratoriais para prever câncer de próstata. – Fotos: Arquivo Pessoal cedido ao SNBConfira o link original do post
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