Triste: Aos poucos presença brasileira na 46th Street em NY vai diminuindo e “Little Brazil” pode desaparecer

Nova York já não tem o mesmo “pedaço” do Brasil em Manhattan. A famosa “Little Brazil”, na Rua 46, que ferveu nas décadas de 80 e 90 como um caldeirão cultural e econômico para imigrantes e turistas, é hoje um retrato da saudade. Onde antes se ouvia português em cada esquina e o cheiro de feijoada dominava, agora restam poucos sobreviventes. A alta dos aluguéis, crises econômicas no Brasil e a mudança no perfil do imigrante redesenharam o mapa da comunidade brasileira na cidade. Entre a Quinta e a Sexta Avenida, a Rua 46 foi uma vitrine. Lojas de eletrônicos
Triste: Aos poucos presença brasileira na 46th Street em NY vai diminuindo e “Little Brazil” pode desaparecer

Nova York já não tem o mesmo “pedaço” do Brasil em Manhattan. A famosa “Little Brazil”, na Rua 46, que ferveu nas décadas de 80 e 90 como um caldeirão cultural e econômico para imigrantes e turistas, é hoje um retrato da saudade. Onde antes se ouvia português em cada esquina e o cheiro de feijoada dominava, agora restam poucos sobreviventes.

A alta dos aluguéis, crises econômicas no Brasil e a mudança no perfil do imigrante redesenharam o mapa da comunidade brasileira na cidade.

Entre a Quinta e a Sexta Avenida, a Rua 46 foi uma vitrine. Lojas de eletrônicos, joalherias e restaurantes como o Via Brasil, de Luis Gomes, eram o ponto de encontro. “Não tem comparação. Eram ônibus de turismo, grupos de colégios, uma época totalmente diferente”, recorda Gomes, que comanda seu restaurante desde 1978.

Contudo, o declínio começou cedo. Já em 1984, o jornal New York Times reportava o impacto da crise da dívida latino-americana na “Rua Brasileira”. Na época, Jota Alves, editor do jornal comunitário The Brasilians, resumiu a situação: “Esta é uma parte de Nova York que depende mais das decisões econômicas tomadas em Brasília do que das que vêm de Washington”.

A antropóloga Maxine Margolis, autora do livro “Little Brazil”, explica que a rua era, na verdade, mais voltada para turistas que vinham comprar eletrônicos do que para imigrantes residentes. Segundo apurado pelo Brazilian Press, o fim da necessidade de importar esses produtos, que se tornaram acessíveis no Brasil, foi um golpe fatal. “Aos poucos, as lojas fecharam”, disse Margolis.

Some-se a isso a especulação imobiliária de Manhattan. “Nova York está sempre mudando. Mas houve muita construção de grande porte que prejudicou os pequenos negócios, incluindo os brasileiros”, explica a antropóloga.

Hoje, o Via Brasil é um dos últimos resistentes. A presença brasileira sobrevive em “segredos”, como a loja Búzios, de Marcela Ferreira, escondida em um prédio sem placa. Ela vende produtos que matam a saudade: pão de queijo, guaraná e até gibis da Turma da Mônica. “A gente compra saudade”, define ela.

Até mesmo o Brazil Day, a festa emblemática que nasceu ali e chegou a reunir 1,5 milhão de pessoas, sofreu o golpe: em 2025, o evento não aconteceu devido a “diversos obstáculos”.

Mas a presença brasileira não desapareceu; ela apenas migrou. Mesmo na época de ouro da Rua 46, muitos brasileiros já moravam em Astoria, no Queens, buscando aluguéis mais baixos. Margolis aponta que este bairro sempre foi mais focado no imigrante residente. “Se você visitar Astoria hoje, ainda há muitos brasileiros”, afirma. Lá, supermercados como o Rio Market e restaurantes a quilo, mais acessíveis que os de Manhattan, prosperam, mostrando a reinvenção da comunidade longe das luzes e dos aluguéis da antiga “Little Brazil”.

// Com informações da BBC Brasil.

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