Alguns dos principais produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos deixaram de enfrentar a sobretaxa mais pesada e passaram a operar sob a mesma alíquota aplicada aos demais exportadores. Combustíveis, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves saem da condição de exceção negativa e passam a enfrentar a tarifa global hoje fixada em 15%.
Para o Brasil, isso representa um alívio relativo. O país deixa de ser alvo isolado e volta ao mesmo patamar aplicado aos demais. Não é vantagem competitiva. É o fim da desvantagem. Num ambiente protecionista, pagar o mesmo que todos já é uma forma de defesa.
Esse rearranjo nasce da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o instrumento jurídico usado pela Casa Branca para impor tarifas globais. Ao invalidar a base legal da medida, a Corte retirou sustentação para as sobretaxas direcionadas que atingiam o Brasil.
O retorno ao livre comércio, porém, não aconteceu. O presidente Donald Trump reagiu imediatamente e anunciou uma nova tarifa global de 10%, já elevada para 15%, substituindo a sobretaxa específica por um modelo uniforme.
Antes da decisão judicial, o governo brasileiro já havia negociado a retirada do país da lista de alvos da sobretaxa de até 40%. A decisão da Suprema Corte retirou sustentação para essa diferenciação. O Brasil deixou de ter tarifa direcionada e passou a enfrentar o mesmo patamar global aplicado aos demais países.
O ponto central agora não é apenas o tamanho da tarifa, mas a instabilidade do sistema. Por seis votos a três, a Suprema Corte afirmou que o uso de poderes emergenciais para impor tarifas sem aval do Congresso extrapolou os limites legais. A reação da Casa Branca foi recorrer a outro dispositivo da legislação comercial, criando um tarifão com validade de 150 dias, prorrogável apenas com autorização parlamentar. A disputa institucional permanece aberta.
O cenário é de incerteza programada. Se o Congresso endossar a medida, o protecionismo pode se consolidar como política de Estado. Se barrar ou limitar, abre-se nova rodada de embates judiciais. Em qualquer hipótese, o comércio internacional passa a operar sob horizonte mais curto e mais politizado.


O desafio interno permanece. Escapar de uma sobretaxa diferenciada não resolve o custo Brasil. Logística cara, sistema tributário complexo e insegurança regulatória pesam tanto quanto qualquer tarifa externa. O mundo está erguendo muros. O Brasil não pode continuar construindo os seus.
A decisão da Suprema Corte não encerra a guerra comercial. Apenas muda sua fase. O que o Brasil fizer agora determinará se este episódio será lembrado como mais uma turbulência passageira ou como o momento em que o país decidiu negociar com mais estratégia e se posicionar num comércio internacional cada vez mais politizado.
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