O problema era conhecido por parecer simples à primeira vista, mas esconder uma dificuldade enorme. Qualquer pessoa conseguia entender a pergunta, mas ninguém havia conseguido provar a resposta final com certeza.
Depois de anos de tentativas frustradas de vários estudiosos, a solução veio de um pesquisador de apenas 31 anos, que dedicou boa parte da vida acadêmica ao desafio.
O responsável pela descoberta é Baek Jin-eon, matemático sul-coreano e pesquisador do Korea Institute for Advanced Study. Ele atua como pesquisador no June E Huh Center for Mathematical Challenges, um centro voltado a problemas difíceis da matemática.
Baek concluiu o doutorado na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e já havia passado pelo Instituto Nacional de Ciências Matemáticas da Coreia. A solução do problema surgiu quando ele tinha 29 anos, durante um período como pesquisador de pós-doutorado na Universidade Yonsei.
O reconhecimento veio em 2025, quando a revista Scientific American colocou o trabalho dele entre os 10 maiores avanços matemáticos do ano.
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O chamado “problema do sofá em movimento” foi criado em 1966 pelo matemático Leo Moser. A pergunta era direta: qual é o maior formato rígido possível que consegue passar por uma curva em L, em um corredor estreito de largura fixa?
Mesmo sem fórmulas complicadas, o problema virou um clássico e apareceu em livros didáticos nos Estados Unidos. Justamente por isso, atraiu curiosos e especialistas por décadas.
Ao longo dos anos, vários matemáticos criaram formas cada vez mais eficientes, mas ninguém conseguia provar qual era o limite máximo possível.
Tentativas ao longo das décadas
Em 1968, o matemático britânico John Hammersley apresentou uma forma com área aproximada de 2,2074 metros quadrados. Anos depois, em 1992, o professor Joseph Gerver, da Universidade Rutgers, propôs uma figura ainda mais complexa, com cerca de 2,2195 metros quadrados.
A forma de Gerver passou a ser a principal candidata à resposta final. Mesmo assim, faltava algo essencial: uma prova definitiva de que nenhuma forma maior conseguiria fazer o mesmo percurso.
Essa lacuna manteve o problema em aberto por mais de 30 anos.
Sete anos de trabalho
Baek Jin-eon decidiu enfrentar justamente essa dúvida. Foram sete anos de pesquisa até a publicação de um artigo com 119 páginas, divulgado no fim de 2024 no site científico arXiv.
O diferencial do trabalho foi a abordagem. Em vez de depender principalmente de cálculos feitos por computador, como estudos anteriores, o matemático apostou em raciocínio lógico e argumentos teóricos para mostrar que a forma de Gerver é o limite máximo possível.
O artigo agora passa por avaliação na Annals of Mathematics, uma das revistas mais respeitadas da área.
Novas ideias
Em entrevistas, Baek comparou o processo de pesquisa a um ciclo constante de criar e abandonar ideias. Segundo ele, muitas tentativas precisaram ser deixadas para trás até que o caminho certo aparecesse.
O matemático contou que o problema chamava atenção justamente por não ter uma base teórica clara. A falta de referências antigas virou motivação para criar novas ferramentas e transformar o desafio em um problema de otimização.
Para Baek, avanços assim levam tempo. Ele disse que sente como se tivesse plantado uma pequena semente, que agora pode ajudar outros pesquisadores a avançar ainda mais na matemática.
Baek Jin-eon é matemático e pesquisador, especializado em problemas sem solução – Foto: divulgação
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