Possibilidade de deportação de Kilmar Armando Ábrego García para Uganda gera preocupações, conforme reportado pelo Brazilian Press. A ameaça foi confirmada após um alerta do Departamento de Segurança Interna (DHS) aos advogados de García, logo após sua libertação condicional em um caso federal no Tennessee.
O comunicado, que integra documentos judiciais, destaca: “Este e-mail serve como aviso de que o DHS pode proceder com a remoção de Kilmar Armando Ábrego García para uganda, não antes de 72 horas a contar de agora (excluindo os fins de semana)”.Essa notícia ocorre em um contexto jurídico e humanitário muito sensível, visto que garcía havia sido deportado ilegalmente para El Salvador em março deste ano, um erro que atraiu atenção significativa no âmbito nacional e internacional, antes de retornar aos EUA em junho para enfrentar acusações criminais.
Com um processo criminal ainda em andamento, García obteve uma decisão da juíza federal Paula Xinis que garante um aviso prévio de 72 horas úteis antes de qualquer tentativa de deportação.Esta medida visa assegurar que ele tenha a oportunidade de contestar caso corra risco de tortura ou perseguição no destino indicado. A eventual deportação para Uganda, um país sem vínculos históricos ou familiares com García, levanta sérias preocupações em relação à sua segurança, especialmente diante do histórico de violações dos direitos humanos contra estrangeiros e a comunidade LGBTQ+.
O caso se intensificou no sábado (23), quando os advogados de García apresentaram um novo dossiê ao juiz federal Waverly Crenshaw. Nesse dossiê, eles revelam que o governo dos EUA propôs um acordo para que García se declarasse culpado de duas infrações federais – relativas à entrada irregular e documentação falsificada – garantindo que, após cumprir pena, seria deportado para a Costa Rica. Uma carta oficial do governo costarriquenho anexada à documentação indica que o país estaria disposto a recebê-lo como refugiado ou a conceder status legal humanitário.
A proposta, renovada na noite de sexta-feira, tem um prazo que expira na manhã de segunda-feira. Se rejeitada, os advogados afirmam que será “removida permanentemente da mesa”. Para a defesa, esse prazo é uma tática coercitiva. “A interpretação é clara: o DOJ,DHS e ICE estão utilizando seus poderes para pressionar o Sr. Ábrego a escolher entre um acordo que oferece segurança relativa ou a deportação para Uganda, onde sua vida e liberdade podem estar em risco”, destacaram em sua petição ao tribunal.
A equipe jurídica de García argumenta que as ações do governo configuram “acusação vingativa e seletiva” em retaliação ao fato de ele ter contestado publicamente a deportação ilegal para El Salvador. “É difícil imaginar um comportamento que deixe mais evidente essa vingança”,afirmaram.Em resposta, solicitam que o juiz arquive o processo criminal por considerar abuso de poder. O caso de Kilmar Ábrego García, um imigrante salvadorenho com laços familiares nos EUA e que nunca residiu em Uganda, simboliza as falhas e excessos das políticas migratórias durante a era Trump.Enquanto aguarda a decisão judicial,ele permanece sob liberdade condicional,mas com a ameaça constante de uma deportação que,segundo sua defesa,pode ser letal.
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