EUA e Ruanda firmam pacto inédito para deportação de migrantes, incluindo brasileiros

O governo de Ruanda revelou um novo acordo com os Estados Unidos para receber até 250 migrantes deportados, independentemente de sua nacionalidade. Este passo posiciona Ruanda como o terceiro país africano a se unir a essa iniciativa desde o retorno de Trump à presidência. Detalhes sobre os critérios de seleção e contrapartidas financeiras ainda são incertos
EUA e Ruanda firmam pacto inédito para deportação de migrantes, incluindo brasileiros

Um ⁢novo acordo entre os Estados Unidos e Ruanda foi anunciado, permitindo que⁢ até 250 migrantes deportados‌ sejam acolhidos pelo país africano, independentemente de sua nacionalidade. Este ato torna Ruanda o terceiro país no continente a se comprometer com⁣ a ⁣administração americana ⁢desde a ‌volta de Donald Trump ao cargo ⁤em janeiro deste ano.

Embora os pormenores do acordo, como cronograma e critérios de seleção, ainda ‍não tenham sido divulgados, a porta-voz do governo ruandês, Yolande ‍Makolo, enfatizou⁣ a tradição do país em acolher migrantes ​como uma fundamentação moral para essa decisão.

“Quase cada família ⁢ruandesa possui histórias de deslocamento. Nossos princípios sociais fundamentam-se na reintegração e reabilitação”, declarou​ Makolo, acrescentando que os migrantes receberão formação ⁢profissional, assistência de saúde‍ e habitação ao serem acolhidos.

De acordo com informações do Brazilian Press, Ruanda ⁢terá ‍o ​poder de decidir sobre cada caso apresentado pelos EUA, o que lhe dá autonomia sobre quem pode ser aceito. Contudo, as nacionalidades⁣ dos migrantes e possíveis compensações financeiras permanentes não foram reveladas, sendo ⁤que imigrantes brasileiros em situação irregular podem estar entre os deportados.

Essa⁢ confirmação chega após a Suprema‍ Corte Americana ter autorizado, em junho, a⁢ deportação de imigrantes para países terceiros, mesmo sem garantias de proteção aos direitos​ humanos. Essa mudança legal revogou restrições que impediam a deportação de‍ indivíduos para países com histórico de perseguição ou⁢ instabilidade política,‌ o ⁢que abre os ⁣caminhos para ⁣tratados como o de‍ Ruanda.

A administração ⁣de Biden está em negociação com 58 nações globalmente para construir novas alianças migratórias. Nos ⁣últimos meses,países como Sudão⁣ do Sul e Esswatini já‌ aceitaram ⁣grupos de deportados,muitos dos quais ⁤vieram de nações que se recusaram a readmiti-los. Em julho,cinco ‍migrantes oriundos ⁤de ‌países asiáticos e caribenhos foram enviados a esswatini,enquanto Sudão do Sul recebeu oito ‍deportados,apenas um dos quais era ​nacional do‌ próprio ⁢país.

Esse‍ tipo ‌de política, frequentemente referida como diplomacia da deportação pela equipe de Trump, é ​parte‍ de uma iniciativa mais ampla que​ o ‌presidente descreve como a “mais significativa ​operação de‌ expulsão na história ‌americana”. Uma ordem executiva de janeiro determinou que o‌ Departamento ​de estado e o Departamento de Segurança Interna buscassem acordos internacionais para⁤ resolver conflitos com países que não aceitam reenvios de seus cidadãos.

Apesar do anúncio, um representante do Departamento de‌ Estado dos EUA não confirmou oficialmente​ o acordo com Ruanda, ⁣afirmando apenas ⁢que colaboram em‍ diversas prioridades comuns, incluindo políticas​ migratórias que consideram cruciais para a segurança​ nacional.

Este novo movimento tem gerado intensas controvérsias. ⁤Organizações internacionais de direitos humanos alegam que países africanos estão ‍sendo pressionados a aceitar acordos sob a ameaça​ de sanções, como restrições a vistos para seus cidadãos. Dados indicam que⁣ países como nigéria e África do Sul ⁣têm ‍estado em‍ negociações com esse caráter delicado, conforme relatos de fontes da imprensa.

Ruanda, cuja⁤ população ⁤é⁢ de⁣ aproximadamente 13 milhões, já possui experiência em acolhimento de refugiados.⁢ Entre 2019 e 2025, o país acolheu cerca de 3 mil​ solicitantes de asilo evacuados da Líbia, em ⁣colaboração com a Acnur. ⁤Em 2022, firmou um ⁣acordo similar com o⁢ Reino Unido para receber milhares de solicitantes​ de abrigo, embora este tenha sido ​interrompido por decisões judiciais e oficialmente abandonado após a posse de Keir Starmer ⁣como primeiro-ministro.O governo ruandês manteve, entretanto, os mais de ⁤US$ 300 milhões que foram‌ pagos antecipadamente pelo Reino Unido.

Governado há mais de duas décadas pelo presidente Paul Kagame – reeleito em 2024 ⁤com impressionantes 99,18% dos votos, de acordo com dados oficiais ‍- Ruanda enfrenta críticas globais⁤ por reprimir a ⁣oposição e por seu ‍papel no conflito⁢ na República Democrática do Congo. Para muitos ativistas, concordar em aceitar migrantes sob pressão externa pode piorar a imagem já contestada‌ do país no​ cenário internacional.

Nos EUA, os números continuam a⁢ aumentar. ​Dados da AFP apontam que, em ⁣junho, mais de 60 mil imigrantes estavam detidos em⁢ centros ‍de detenção como parte do⁤ processo de deportação – 71% deles sem antecedentes criminais. A realização de deportações‌ como ⁢a dos 252 homens enviados para El Salvador em março,com muitos deles sendo ‍posteriormente transferidos para ​a Venezuela,revela ⁤as condições extremas enfrentadas por esses migrantes,com relatos de tortura,superlotação e tratamentos desumanos.

Com este novo pacto, ⁣Ruanda adentra um cenário ainda mais complicado ‌como um “país⁢ terceiro seguro”, em ‌uma política ⁢migratória⁣ guiada por decisões judiciais controversas e pressão geopolítica crescente. Enquanto a Casa Branca exalta seus avanços, críticos alertam ‌que o custo humano dessa operação pode estar sendo negligenciado⁢ em nome da estabilidade política.

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